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sábado, 13 de junho de 2015

O automóvel movido com combustível fóssil é o novo cigarro?

Às vésperas da crise mundial, em agosto de 2008, o então presidente Lula disse que o Brasil havia tirado um “bilhete premiado” com a descoberta das bilionárias reservas de petróleo da camada pré-sal. Sete anos depois, no entanto, o cenário internacional mudou bastante. Não apenas pela derrocada do preço do barril do petróleo, que na época custava mais de US$ 100, e hoje vale a metade disso, mas principalmente pelo avanço das pressões dos ambientalistas contra o uso dos combustíveis fósseis.

Na segunda-feira 8, na Alemanha, o tema ganhou relevância e urgência com a declaração conjunta do grupo dos sete países mais ricos do mundo (G-7) sobre o banimento do uso de petróleo, gás natural e carvão até o fim deste século – com reduções de 40% a 70% até 2050 em relação aos níveis de 2010. Embora as intenções de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Itália, França e Japão de “descarbonizar” a economia ainda se pareçam mais com promessas ao vento, feitas para apaziguar a arquibancada, do que com compromissos registrados em cartório, há uma clara mudança na forma com que políticos, empresários e consumidores encaram o problema do aquecimento global.

Para o Brasil, resta a reflexão sobre o que fazer com o pré-sal. A queima de combustíveis fósseis libera na atmosfera dióxido de carbono, um dos responsáveis pelo efeito estufa. Há um consenso mundial de que a temperatura média da Terra não pode subir mais do que dois graus Celsius neste século. No entanto, se todas as reservas já conhecidas de gás natural, petróleo e carvão forem utilizadas, esse limite será facilmente ultrapassado. É nesse contexto, em que os ambientalistas tendem a ganhar cada vez mais apoio da opinião pública, que o Brasil vai extrair o óleo da camada pré-sal, cuja reserva estimada é de 60 bilhões de barris de óleo.

Segundo a Agência Internacional de Energia, aproximadamente 87% de todo o combustível consumido no mundo é de origem fóssil. A pressão por uma economia cada vez mais verde já está causando transformações no mundo corporativo. Além da busca por modelos de produção mais sustentáveis, ancorados em práticas como a reutilização de água e a reciclagem de resíduos –, muitas empresas estão sendo levadas a repensar o seu modelo de negócio ou os próprios produtos. Isso significa desde uma simples mudança no meio de transporte que a companhia holandesa de entregas TNT adota no centro de São Paulo – trocou o caminhão pela bicicleta – até os investimentos gigantescos que as montadoras estão destinando para a produção de veículos elétricos.

Com sede em Stuttgart, na Alemanha, a Porsche decidiu oferecer aos consumidores, nos próximos dois ou três anos, todos seus modelos com uma versão híbrida – motor movido a gasolina e a energia elétrica. “É preciso aumentar a oferta de veículos verdes para baratear o custo”, diz Marcel Visconde, presidente da Porsche no Brasil.

“Nesse pontapé inicial, é fundamental que os governos deem subsídios para a indústria.” Há no setor automotivo uma enorme preocupação com a falta de interesse das novas gerações em adquirir um carro. Pior, ainda, se o consumidor do futuro associar o produto a um problema climático. 

Não foi à toa que o ex-vice-presidente americano Al Gore, um conhecido ativista da causa ambiental, indagou no fim do ano passado, em palestra no Brasil: “O automóvel é o novo cigarro?”

Postagem: O automóvel movido com combustível fóssil é o novo cigarro?

Publicado no Verdesobrerodas
Origem: IstoÉDinheiro

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