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sábado, 15 de setembro de 2018

Cobrança na rede pública para carregar VE deve começar em breve


João Marques da Cruz, administrador da EDP Distribuição, defendeu esta quinta-feira na Mobi Summit, em Lisboa, que “são os utilizadores dos carros elétricos que devem pagar o sistema de mobilidade elétrica”, interpelando o governo, e mais concretamente o Ministério do Ambiente, para a necessidade de criar “legislação para atuar a esse nível”. 

Anteriormente, fonte oficial da EDP tinha já dito ao Dinheiro Vivo que “a ausência de cobrança dos carregamentos em Portugal tem consequências para o desenvolvimento da mobilidade elétrica, dissuadindo o investimento dos operadores em infraestrutura”.

Depois de ter derrapado mais uma vez o prazo para o início do pagamento dos carregamentos rápidos em 60 postos da rede Mobi.E, em julho, o novo deadline aproxima-se mais uma vez sem que esteja à vista qualquer sinal de que a eletricidade usada para carregar veículos elétricos nos carregadores da rede público vá realmente começar a ser paga até ao início de outubro. 

“Não é socialmente justo que sejamos todos a pagar o sistema de mobilidade elétrica. Quem não tem um veículo elétrico não deve pagar o que não usa”, reforçou João Marques da Cruz, salientando: “O esforço deste governo de que os postos de carregamento sejam pagos é importante. Se se cria valor tem de ser pago. Os utilizadores querem um sistema eficiente e tem de ser pago”. 

Do lado das empresas, como a EDP, o administrador diz que se têm “preparado bastante bem” para o futuro da mobilidade elétrica. E deu ainda um exemplo: “Na China, os postos de carregamento elétrico são todos pagos. É um negócio e tem de ser assim”. Fonte próxima da Mobi.E tinha já revelado que os carregamentos rápidos (80% da bateria em meia hora) vão começar a ser pagos pelos proprietários dos carros elétricos ainda durante o terceiro trimestre (até outubro), enquanto os carregamentos normais só deverão ficar a cargo dos consumidores “no início de 2019”. 

Até lá, continuam a ser os operadores responsáveis pelos mesmos a suportar o encargo com a eletricidade consumida. Fontes de várias empresas, ouvidas pelo Dinheiro Vivo, reportam prejuízos com este novo atraso da entrada em regime de mercado. No entanto, a “fatia de leão” diz respeito ao valor pago pela Mobi.E (ou seja, pelo Estado) face aos restantes 400 postos de carregamento normal: uma fatura mensal que neste momento ascende já a 29 mil euros por mês. 

Este processo está do lado da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), cabendo ao regulador chegar a acordo com a Mobi.E sobre se a conta da mobilidade incluirá ou não a contribuição para o audiovisual (2,85 euros por mês, sem IVA) paga à RTP, por exemplo, entre outras parcelas que poderão sobrecarregar os preços. 

Quanto às razões para os sucessivos atrasos na cobrança dos carregamentos elétricos, a Mobi.e justifica que “há trabalhos ainda serem feitos” e só quando todos os stakeholders se sentirem prontos, se avançará para a fase de mercado, já que a empresa tem todo o “interesse em que a mobilidade elétrica funcione da melhor forma”. 

Além disso, está também a decorrer um projeto de atualização tecnológica em 304 postos da rede de carregamentos, a cargo da Efacec (por 570 mil euros) que deverá ficar concluído também até outubro. Fonte do Ministério do Ambiente, citada pelo Jornal de Negócios, reafirmou que continuam a ser desenvolvidos os trabalhos necessários para que o início dos pagamentos seja “assim que possível”. A mesma fonte revelou ainda que a rede Mobi.E vai ter mais 302 postos de carregamento até março de 2019.

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Publicado no Verdesobrerodas



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