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sábado, 14 de julho de 2018

Montadoras investem em tecnologias das baterias para VEs


Para que automóveis limpos conquistem as ruas nos próximos anos, empresas investem em tecnologias para melhorar o desempenho das baterias elétricas. Do pequenino LSEV, cujas peças são fabricadas em impressoras 3D e acomodam apenas o motorista e um passageiro, ao SUV iX3 — protótipo apresentado pela BMW, que alcançará 400 km de autonomia e terá tempo de carregamento de 30 minutos —, os automóveis elétricos deixaram de ser um sonho dos ambientalistas para ganhar o maior mercado automotivo do planeta: a China. Só no ano passado, 1 milhão de carros elétricos foram vendidos no país asiático — a expectativa é que esse índice salte a 7 milhões em 2025.

Além de não emitir gases decorrentes da queima dos combustíveis, os automóveis movidos por eletricidade apresentam vantagens econômicas a longo prazo: um litro de gasolina em um veículo comum tem o mesmo rendimento de um kWh (quilowatt-hora), que custa cerca de R$ 0,30 de carga elétrica.

Mas, antes de sair correndo para abandonar seu carro (e a fatura do posto de gasolina), alguns questionamentos ainda cercam a viabilidade da produção em larga escala de veículos elétricos. O principal alvo de questionamento dos consumidores é a bateria — afinal, de problemas com o descarregamento em horas impróprias já bastam os celulares. O Chevrolet Bolt EV, por exemplo, precisa ficar uma hora conectado a uma tomada para rodar 40 km. Lançado nos Estados Unidos no ano passado, o hatch compacto custa altos US$ 37,5 mil (equivalentes a R$ 130,1 mil, sem impostos).

Atualmente, carregadores sem fio (como os já usados em alguns modelos de smartphones) já estão disponíveis para os carros elétricos. A BMW desenvolveu um equipamento para seu 530e iPerformance que consegue carregar o automóvel por indução. A carga completa é prometida em três horas e meia.

Em busca de melhorias, montadoras e empresas de diferentes segmentos tecnológicos trabalham com novas possibilidades para as baterias elétricas. "O desempenho tem ficado cada vez melhor em termos de energia, potência e durabilidade, mas o desafio dos próximos anos é fazer cair o preço das baterias", afirma o engenheiro químico Robson Monteiro, consultor da empresa de mineração brasileira CBMM. Com sede na cidade de Araxá, Minas Gerais, a companhia é líder mundial na extração de nióbio, empregado principalmente na indústria do aço em atividades como fabricação de automóveis e de turbinas de aeronaves. O Brasil é dono de quase 100% das reservas do elemento químico.

Apesar de não ser tão milagroso, o nióbio também tem aplicações que podem auxiliar a produção de baterias elétricas mais eficientes. Não por acaso, a CBMM patrocinou as etapas de Punta del Este, no Uruguai, e de Roma, na Itália, da Fórmula-E, categoria de competição automobilística de veículos elétricos. "O nióbio pode ser utilizado como elemento estrutural, permitindo o aumento da capacidade de retenção de energia das baterias", explica Monteiro. De acordo com o engenheiro, uma bateria fabricada com nióbio que já está em desenvolvimento teria vida útil de até 15 anos. "Isso será muito bom na perspectiva do consumidor, já que diminuirá a depreciação das baterias", diz ele.

Apesar da vida útil estendida, as empresas buscam soluções para o destino das baterias que deixarão de funcionar. Não adianta reduzir as emissões de poluentes se elementos químicos como cobalto, lítio e nióbio forem descartados sem cuidados na natureza. A Tesla, do bilionário sul-africano Elon Musk, afirmou que suas fábricas de produção de baterias também contarão com unidades de reciclagem dos equipamentos. 

Para um país de dimensões continentais como o Brasil, os desafios se acumulam em relação à disponibilidade de infraestrutura capaz de prover energia para os automóveis em locais distantes dos centros urbanos, como rodovias. Ainda assim, as empresas acreditam em um futuro elétrico para o país. "Como um dos grandes representantes da indústria automotiva, o Brasil terá a oportunidade de dar um salto tecnológico com o mercado de carros elétricos.

Resta saber se vamos apenas ficar esperando ou anteciparemos essa tendência", afirma Robson Monteiro.

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Publicado no Verdesobrerodas



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