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quarta-feira, 28 de março de 2018

Mais da metade dos carros vendidos na Noruega são elétricos

A venda de automóveis 100% elétricos na Noruega conseguiu uma quota superior a 50% durante o ano de 2017. Há lições que podemos aprender e aplicar em Portugal?
Quer saber qual vai ser o futuro dos automóveis elétricos em Portugal? Nós não adivinhamos, mas estivemos na Noruega, país frequentemente apontado como um dos mais avançados em termos de eletrificação de viaturas, e podemos avançar alguns fatos e tendências.
Quando um dos maiores desafios com que se depara o mercado são as filas de espera nos postos de carregamento, que são perto de 10 mil em comparação com os 604 existentes por cá, em que ponto é que está este mercado?

De acordo com o responsável da VWFS no país (a Fleet Magazine viajou a convite da delegação portuguesa), a Noruega já está na fase de massificação. E com massificação pretende-se dizer que a quota de mercado nas vendas foi de 52,5% em 2017.

Portugal estará no ponto em que a Noruega estava em 2011, disse o responsável pela VWFS no país, que acompanhou este processo desde que começou a verdadeira revolução nas compras de viaturas elétricas. O país percebeu cedo que só o conseguiria fazer através de um sistema de incentivos, que incluem atualmente:
Isenção de IUC*

Isenção de ISV

Isenção de IVA*

Isenção de Tributação Autônoma

Desconto em 50% em portagens e auto-estradas*

Circulação em faixas reservadas para transportes públicos*

Estacionamento Gratuito

* Não existente em Portugal

Taxação de elétricos

Claro que a Noruega ter um GDP de mais de o dobro de Portugal (70,8 contra 18,8 USD), um fundo soberano qua alcançou o ano passado um bilião de dólares ou o fato de conseguir comprar o Volkswagen e-Golf mais barato do que o importador português também ajudam. No entanto, o caminho que a Noruega fez foi de facilitar ao máximo a compra deste tipo de viaturas. Além dos incentivos que partilha com Portugal, acrescentou ainda outros, como a abolição de portagens, importante num país altamente limitado por estes dispositivos. No entanto, todos os operadores acreditam que seria possível o mercado crescer mais. 

Houvesse mais carros (o Opel Ampera e o Kia Soul estão com lista de espera) e melhores, mais postos de carregamento nas cidades para quem não tem garagem, equipamentos de carregamento mais fiáveis e novamente as filas de espera para carregar as viaturas. Do “range anxienty”, que parece resolvido com a rede de carregamento, a Noruega está também a entrar na “charging anxiety”, sobretudo se pensar que é difícil, como admitiu o executivo da VWFS, estar uma hora à espera que o carro carregue com temperaturas negativas…

De qualquer forma, a Noruega tem como objetivo que todas as viaturas vendidas em 2025 sejam elétricas. A indústria automóvel terá que conseguir acompanhar. Entretanto, um dos primeiros passos tem a ver com a criação de um mercado para operadores de energia, agora que se percebeu que é possível fazer dinheiro com carregadores.

Da parte da VWFS, avançou com a Hyre, uma empresa destinada a redefinir a mobilidade individual e elétrica. O objetivo é entregar um serviço a quem precisa de um carro pontualmente e poder rentabilizar o seu próprio carro. Os clientes vão partilhar o seu carro com outras pessoas através de uma chave digital, com liquidação automática de portagens e consumo de combustível.

Em Portugal, o serviço não está previsto. Mas a VWFS vai lançar um projeto para a conversão das frotas dos clientes em frotas elétricas, através do apoio no processo de planejamento e instalação de pontos de carregamento nos parques de estacionamento das empresas e opção de inclusão do valor da fatura elétrica na mensalidade. Internamente, pretende converter um terço da sua frota e instalar 12 pontos de carregamento das suas instalações.

Se este e outros projetos correrem bem, estaremos daqui a sete anos com mais de 50% das vendas em viaturas eletrificadas? Tudo depende dos incentivos e da oferta da indústria automóvel, mas a acreditar na taxa de crescimento da venda destas viaturas, poderá ser um cenário plausível, concordaram os responsáveis noruegueses.

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Publicado no Verdesobrerodas



Por Razão Automóvel conteúdo

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