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sábado, 24 de fevereiro de 2018

Tesla aposta no Model 3 para o mercado português

Por muito divertido que seja conduzir um Tesla Model S há que ter em conta que este é um automóvel destinado ao mercado premium e é, portanto, inacessível à maioria dos consumidores. Para o segmento mais abrangente do mercado temos o Model 3 que– com um preço que “não deverá andar longe dos 35 mil euros” – se assumirá como uma das principais apostas da Tesla. 

Sim, para tal, o Model 3 terá de ter uma potência e autonomia que não só sejam atraentes como também cumpram os padrões e expetativas da marca. Podemos falar agora das diferentes versões do Model 3 (cujas baterias oferecem maior ou menor autonomia) mas isso passaria ao lado de uma questão mais importante e relevante para o mercado dos veículos elétricos em Portugal: a infraestrutura.

As vantagens de um carro elétrico são óbvias. Seja na redução de emissões de gases poluentes ou na diminuição da poluição sonora, os benefícios são consensuais. Ainda assim, nada disso serve se não estiverem implementadas as infraestruturas necessárias para sustentar este mercado. Os postos de carregamento públicos atualmente instalados em Lisboa, por exemplo, são insuficientes para um futuro de carros elétricos.

No Tech ao Minuto tivemos oportunidade de experimentar o Tesla Model S durante quatro dias úteis e aproveitamos a oportunidade para ver como é ter um carro elétrico sem o 'apoio' de uma garagem. Durante este período usamos o carro como usaríamos um veículo pessoal, efetuando movimentos pendulares entre os arredores de Lisboa e a zona do Restelo. Foram, pelo menos, 70 km por dia (sem contar com outras ‘voltinhas’) que o Model S teve de fazer, o que obrigou necessariamente a recarregá-lo uma vez que ‘só’ tem autonomia para 632 km.

Não tendo garagem para recarregar o carro durante a noite e tendo apenas alguns pontos de carregamento públicos da Mobi.E nas imediações do local de trabalho, o teste ao Model S permitiu constatar que a cidade de Lisboa não está de facto preparada para o mercado dos elétricos.

‘Basta meter o carro a carregar durante o dia, não é assim tão difícil de resolver’, pode pensar o leitor. No entanto, entre os sete pontos públicos possíveis para carregar o carro, quatro deles estavam avariados, com dois a terem o ecrã partido e outros dois a não funcionarem de todo. Só foi possível carregar neste ponto com ecrã avariado porque outro condutor com carro elétrico nos ajudou para ativar o carregamento. Na verdade, o sentimento de entreajuda entre os condutores de carros elétricos foi uma agradável surpresa (talvez por se identificarem com os problemas de quem nunca havia lidado com um veículo semelhante).

Esta entreajuda entre condutores manifesta-se ainda numa aplicação para dispositivos móveis de nome Electromaps. A app mostra todos os postos de carregamento disponíveis num mapa, tudo para que o condutor seja capaz de planear a sua rota de acordo com a necessidade de abastecer energia. A palavra-chave na vida do condutor de um veículo elétrico acaba mesmo por ser ‘planeamento’.

Mesmo que não emita qualquer som, é fácil para um Tesla Model S chamar a atenção até porque se trata de um carro elegante. Porém, podemos garantir-lhe que o sentimento do condutor pode ser muito diferente, com altos níveis de ansiedade. Conhece aquela sensação de ter a bateria do smartphone quase a acabar? Pois bem, é muito semelhante mas, neste caso, se ficar sem energia fica sem poder ir a lado nenhum e terá mesmo de pedir boleia.

Isto significa que, da mesma forma que quando tem pouca bateria no smartphone está constantemente à procura de uma tomada, neste caso estará constantemente à procura de um ponto de carregamento, seja ele público ou integrado numa gasolineira convencional.

Durante os quatro dias em que tivemos oportunidade de testar o Tesla Model S demos por nós às 6h00 da manhã na 2ª circular de Lisboa para ter apenas pouco mais de 30 minutos de carregamento. Houve ainda oportunidade para, depois de sair da redação, carregar o carro num ponto de carregamento público ao final da tarde, junto a um McDonald’s, em que dormitamos no banco da frente.

Se isto lhe parece uma situação ‘triste’... é porque é. Ninguém que compra um carro elétrico deveria passar por uma situação destas só porque não tem garagem. Torna-se portanto imperativo que tanto o Governo, como os municípios, como as empresas privadas criem as infraestruturas necessárias para proporcionar o crescimento deste mercado.
Mas não basta só criar essas infraestruturas, é também preciso cuidar delas. Como já referimos, tivemos oportunidade de constatar que uma quantidade considerável de postos de carregamento públicos estava danificada, uma situação que poderá vir a ser solucionada quando o carregamento de veículos elétricos começar a ser pago.

Como já referiu o Ministério do Ambiente à Lusa, ter-se-á de pagar para carregar carros elétricos a partir deste ano. Ainda não foi avançada uma data final, mas, por muito que a perspetiva desagrade num primeiro momento, diríamos que pagar para carregar poderá ter um efeito benéfico na medida em que ajudará à manutenção dos referidos postos.

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Publicado no Verdesobrerodas



Por Notícias ao Minuto conteúdo

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