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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Portugal e a China juntos em projeto de partilha de carros elétricos

A aposta em "novas formas de mobilidade elétrica e o potencial desenvolvimento e industrialização de um carro elétrico entre a State Grid Corporation of China (SGCC), centros tecnológicos portugueses e outros parceiros públicos e privados", é uma das propostas que consta de uma carta que o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, enviou recentemente ao presidente da SGCC, Shu Yinbiao.

A ideia, que inclui o desenvolvimento de sistemas de partilha de carros elétricos, está integrada no projeto de criação da Aliança para a Investigação na Energia (Energy Research Alliance), que está a ser preparada entre Portugal e a China, e que inclui ainda duas outras propostas. A primeira é "o desenvolvimento de uma nova agenda de investigação científica e um programa avançado de formação para promover sistemas de energia sustentáveis e redes com elevado grau de integração de fontes de energia renovável, que conduzam a uma moderna 'Rota da Seda da energia' entre a China e o oceano Atlântico".

A segunda é o desenvolvimento de uma nova agenda de investigação e inovação para o desenvolvimento de sistemas de mobilidade urbana e de energia sustentáveis, "que integrem fontes renováveis e redes inteligentes, bem como tecnologias de baixo carbono".

Manuel Heitor irá à China em janeiro de 2018 a convite da SGCC e os dois países vão criar um grupo de trabalho para preparar a viagem e planear a Aliança para a Investigação na Energia, constituído por representantes da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), REN, SGCC, INESC TEC (instituto português de investigação em redes de energia) e Centro de Excelência para a Inovação na Indústria Automóvel (CEIIA).

Ligar a produção e distribuição de energia até ao Atlântico é o objetivo a 20 anos da China, no âmbito da chamada Nova Rota da Seda, um gigantesco projeto impulsionado pelo presidente Xi Jinping, com o objetivo de unir a Ásia, a Europa e África através da criação de uma série de corredores comerciais envolvendo uma rede de cooperação com 60 países que representam quase dois terços da população mundial.

"Portugal conseguiu em 2016 um recorde mundial, ao consumir durante quatro dias consecutivos apenas energia de origem renovável, devido à integração das energias hídrica e eólica na rede elétrica, e é isto que tem atraído a China", explica Manuel Heitor. O ministro acrescenta que "Portugal tem capacidade científica e técnica nesta área, porque o INESC TEC desenvolveu software sofisticado de integração das energias renováveis e o CEIIA tem apostado na mobilidade elétrica". E sublinha que "os chineses perderam a revolução da Internet, mas agora não querem perder a revolução da energia renovável".

A cooperação entre a China e Portugal inclui ainda a ligação entre a Rota da Seda da energia e o projeto do Centro Internacional de Investigação para o Atlântico (AIR Center), a instalar nos Açores, que vai envolver cinco áreas: energia, espaço, clima, oceanografia e ciência de dados. Com esta ligação, "Portugal pode ter uma nova centralidade na relação entre a China e o Atlântico", conclui Manuel Heitor.

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Publicado no Verdesobrerodas



Por Expresso conteúdo

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