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sábado, 14 de outubro de 2017

Salão da Mobilidade Sustentável abre as portas em Portugal

O professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) Rui Esteves Araújo considera que a procura de veículos elétricos tem crescido bastante em Portugal, apesar da escassez de pontos de abastecimento.

Rui Esteves Araújo, também investigador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), falava à Lusa a propósito do Salão do Automóvel Híbrido e Elétrico - Salão da Mobilidade Sustentável, evento que começa hoje na Alfândega do Porto e que se prolonga até domingo.
Neste evento, que inclui exposições, seminários e testes de condução, participam fabricantes, que pretendem mostrar a oferta existente no mercado e juntam especialistas de diferentes áreas, que falarão sobre o potencial da mobilidade elétrica.

O professor da FEUP é um dos oradores da sessão "Veículos elétricos, o futuro chegou!", na qual tenciona esclarecer as dúvidas do público sobre a mobilidade e os veículos elétricos e híbridos, que têm aspetos "bastante positivos" e que, a longo prazo, "vão contribuir para um maior conforto, principalmente na vida das pessoas que vivem nas grandes cidades".

"Há uns anos as pessoas pouco acreditavam que a eletrificação que está a acontecer hoje em dia iria ter sucesso, no entanto esta já se está a materializar", afirmou, acrescentando que é preciso "desmistificar" o receio das pessoas em relação a este tipo de veículo, nomeadamente quanto à sua autonomia e ao custo das baterias.

Para Rui Esteves Araújo, os veículos elétricos permitem o acesso a um maior conforto por parte dos utilizadores, uma maior eficiência e eficácia na gestão do tempo e um menor impacto ambiental, caso a sua utilização seja encarada de forma integrada e coletiva. 
"Embora tenham um custo inicial mais elevado que os carros tradicionais, se o utilizador fizer uma quilometragem razoável por ano, e tendo em consideração o preço da eletricidade em Portugal, pode haver ganhos significativos com o veículo elétrico", afirmou.

Na sua opinião, o aumento da procura destes veículos pode levar ao aparecimento de empresas especializadas que façam adaptações nas habitações, permitindo ao proprietário "acomodar o seu carro e carregá-lo em casa".

Questionado sobre as reservas de lítio existentes a nível nacional, mineral que faz parte da base das baterias dos veículos elétricos, o investigador indicou que o ideal seria extraí-lo e acrescentar-lhe valor, para ser utilizado no país. "Não nos devíamos limitar só a extrair a parte da matéria prima principal e exportá-la, para não cairmos numa situação em que passamos a parte mais interessante e valiosa a outros", reforçou.

Rui Esteves Araújo acredita que, dessa forma, seria possível dar ao país a oportunidade de ver o desenvolvimento tecnológico produzido nas universidades ser transportado para a indústria e, assim, capitalizar e potenciar ao máximo esse recurso.

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Publicado no Verdesobrerodas



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