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quarta-feira, 3 de maio de 2017

BYD foca ônibus elétricos no mercado brasileiro

A BYD inicialmente ensaiou uma entrada no Brasil associada com automóveis comuns, mas diante da dificuldade de recepção de carros de origem chinesa e a crise no mercado nacional, passou a adotar uma nova estratégia, já vista em outros mercados, especialmente nos EUA e Canadá.

A aposta é no veículo elétrico, cuja tecnologia de baterias de fosfato de ferro-lítio foi desenvolvida pela empresa de Shenzhen, localizada província de Guangdong.
Através do ônibus elétrico K9, a BYD criou um chassi-plataforma para receber carrocerias específicas e é esse produto que a empresa está oferecendo no Brasil.

Diferentemente do mercado de automóveis, o setor de transporte urbano de passageiros necessita de veículos cada vez mais eficientes e ecologicamente corretos. A poluição urbana é um dos maiores problemas enfrentados pelos grandes centros e o Brasil não está fora disso. De acordo com a BYD, o Rio de Janeiro tem níveis de poluição semelhantes aos de Santiago e Cidade do México, considerados os mais altos da América Latina.

Só em São Paulo, a estimativa de vida é três anos e meio menor que em Curitiba, devido à poluição urbana. Na área metropolitana da capital paulista, em torno de 8 mil mortes por ano estão associadas com a poluição. Por conta disso, uma frota de veículos elétricos evitaria em torno de 60 mil mortes por ano no Brasil.

Mas para se chegar ao denominador que traria benefícios à população, o caminho é bem difícil na atual legislação brasileira. Além da tributação equivocada, existe a falta de infraestrutura. A BYD diz que na questão fiscal e tributária, os veículos elétricos – que não poluem – pagam mais impostos que os veículos comuns, movidos por gasolina, etanol e diesel.

Como não há na legislação a categoria de veículos elétricos, estes são considerados como “outros” e por conta disso, pagam 25% de IPI, que é o percentual máximo recolhido pelas demais categorias, cujo percentual começa em 7%. A empresa comenta que existem três projetos de lei em discussão no congresso, mas a evolução dos processos é lento no legislativo.
Então, se em nível federal a legislação não muda, cabe aos municípios e estados mudar o panorama fiscal dos veículos elétricos. A cidade de São Paulo, por exemplo, abriu mão de sua parcela do IPVA (50%) para o segmento, eliminando também o mesmo do rodízio municipal. Para a BYD, a saída está nas mãos dos prefeitos, que são os administradores mais próximos da população das cidades.

Ainda assim, existe uma regra na legislação que impede o uso de ônibus urbanos por mais de 10 anos no serviço público. A regra é importante do ponto de vista de custos e poluição, já que um ônibus diesel se degrada muito rapidamente com o uso intenso e com o passar dos anos, sua operação se torna inviável, ao contrario do que ocorre no caso dos ônibus elétricos. Rever essa política também é necessário para que o custo maior desse último, seja diluído em um período maior.

Além da capital paulista, Campinas/SP – onde fica a fábrica da BYD no Brasil – Canoas/RS, Palmas/TO e Belo Horizonte/MG já criaram programas que envolvem os veículos elétricos, desde táxis até o transporte público por ônibus. Mas há outro gargalo que atrapalha a introdução dos veículos movidos por bateria no Brasil. Segundo a empresa, a ANEEL – que regula a distribuição de energia – não regulamentou a comercialização de energia para o segmento.

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Publicado no Verdesobrerodas



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