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domingo, 5 de março de 2017

Fusão do Grupo PSA e Opel é liderada por gestor português

Pela primeira vez na história da indústria automóvel, será concretizada uma operação de fusão de grandes marcas por um gestor de topo português, de que resultará a criação de um novo gigante no sector. O protagonista é Carlos Tavares, ex-responsável da Nissan e atual presidente executivo do Grupo PSA - Peugeot-Citroën, que negociou em tempo recorde o acordo para a compra da Opel ao Grupo norte-americano General Motors (GM), presidido por Mary Barra. 
Há quatro factos noticiosos que antecipam esta vitória de Carlos Tavares: Primeiro foi a agência Reuters a divulgar o êxito nas negociações entre o Grupo PSA e a GM, sem identificar as fontes da sua informação. Depois, veio o jornal francês Le Figaro a referir o sucesso no processo de compra da Opel.

A seguir foi noticiado em vários órgãos de comunicação franceses que o Conselho de Supervisão do Grupo PSA tinha concordado em avançar com a operação. Finalmente, foi a vez da sede da PSA ter anunciado, formalmente, que realizará uma conferência de imprensa no seu "quartel-general", no número 75 da avenida da Grande-Armée, em Paris, na próxima segunda-feira, 6 de março, às 9h15 locais, correspondentes às 8h15 na hora de Lisboa.

Esta conferência de imprensa será conjunta, do Grupo PSA e da GM, mas liderada pela francesa PSA. Além da divulgação dos termos do acordo alcançado, esta comunicação formal da PSA marcará o sucesso no processo político e laboral conduzido por Carlos Tavares, em instâncias da União Europeia, junto dos líderes políticos franceses e alemães, mas sobretudo a conclusão favorável das reuniões mantidas com os sindicatos alemães - a poderosa central IG Metall -, bem como com os responsáveis pela Comissão de Trabalhadores da Opel na Europa.
 
Os sindicatos e os trabalhadores quiseram ter a certeza que não haveria despedimentos, que a autonomia, identidade e desenvolvimento da marca Opel seriam mantidas e que teriam perspetivas de crescimento a médio e longo prazo.
Nessas reuniões a equipa de Carlos Tavares conseguiu dar resposta favorável às dúvidas dos trabalhadores. Quer o IG Metall, quer a Comissão de Trabalhadores da Opel derem conferências de impresa a manifestar o seu voto favorável a este processo de compra da Opel-Vauxhall pela PSA.

Os valores do negócio nunca foram formalmente explicitados, embora o Expresso tenha tido indicações de um montante global da ordem dos 2 mil milhões de dólares. Questões sobre a tecnologia utilizável no desenvolvimento dos projetos de mobilidade elétrica da Opel - que têm sido desenvolvidas até à data pela GM -, também não foram detalhadamente esclarecidas. No entanto, há indicações que dão forte probabilidade a que a marca Opel possa vir a liderar os projetos de veículos elétricos do futuro universo industrial PSA-Opel-Vauxhall.
 
Segundo dados da Associação dos Construtores Automóveis Europeus (ACEA) a liderança do sector automóvel na Europa pertence ao Grupo Volkswagen, com um total de 3.641.012 veículos produzidos em 2016 seguida pela Renault em segundo lugar. Com a fusão entre a PSA e a Opel, esta dupla franco-alemã ultrapassará a dimensão atual da produção da Renault, ascendendo ao segundo lugar da indústria automóvel europeia.

No mercado português - tradicionalmente liderado pela Renault - a fusão entre a PSA e a Opel, ultrapassaria de forma consolidada a concorrência. Segundo a Associação Automóvel de Portugal - ACAP, no total das vendas de janeiro e fevereiro de 2017, a Renault vendeu 4413 veículos ligeiros de passageiros, ocupando o primeiro lugar, com uma quota de mercado de 13,02%, seguindo-se a Peugeot em segundo lugar, com 3530 veículos, correpondentes a uma quota de mercado de 10,42%.

A Opel aparece em sexto lugar nas vendas nacionais de ligeiros de passageiros em janeiro e fevereiro, com 2001 veículos vendidos e uma quota de mercado de 5,91%, seguindo-se a Citroën com 1900 veículos e uma quota de 5,61% do mercado de ligeiros de passageiros.

No segmento dos comerciais ligeiros a Renault também detém o primeiro lugar, com uma quota de mercado de 17,04% no acumulado de janeiro e fevereiro de 2017, segundo dados da ACAP. Mas a Peugeot vem em segundo lugar no mercado português dos comerciais ligeiros, com 14,8% de quota de mercado, e a Citroën surge em terceiro com 14,65% de quota de mercado.

A Opel aparece em sexto lugar no ranking português das vendas de veículos comerciais ligeiros, com uma quota de mercado de 6,44%, ficando assim à frente de marcas que são fortes a nível internacional nos comerciais ligeiros, como é o caso da Toyota, da Mitsubishi, da Volkswagen, da Mercedes-Benz, da Iveco e da Nissan.

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Postagem: Fusão do Grupo PSA com Opel é liderada por gestor português
Publicado no Verdesobrerodas



Por Expresso conteúdo

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