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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Apesar do petróleo abundante Noruega aposta na mobilidade elétrica

A Noruega quer eliminar a venda de carros novos movidos por gasolina, diesel ou GNV em 2025. O país nórdico é conhecido não só pelas baixas temperaturas e sua quase infinidade de fiordes, mas também por ser uma das economias mais desenvolvidas do mundo. 

O país também tem boas reservas de petróleo e gás, o que sustentaria uma frota automotiva convencional. Hoje existem 8 bilhões de barris e 1,9 trilhão de m3 de gás.
Porém, o país escandinavo exporta a maioria de sua produção, cabendo ao consumo interno uma fração muito pequena todos os anos.


Em 2016, a Noruega refinou 1,948 milhões de barris de petróleo ao dia, sendo que apenas 234 mil foram consumidos pelo mercado interno, onde 64 mil foram para as bombas de combustíveis diariamente. No caso do gás, o país processou 117,2 bilhões de m3, mas consumiu apenas 4,8 bilhões de m3. Com tamanha produção e baixo consumo, o país nórdico poderia simplesmente manter uma frota de veículos quase que 100% dependente desses dois combustíveis por muito tempo.


No entanto, a Noruega quer fazer exatamente o contrário, eliminado a comercialização de carros convencionais e promovendo os carros elétricos e poupando suas reservas de petróleo e gás, que renderam US$ 900 bilhões ao país. Como se sabe, alguns países como a China e EUA, sustentarão esse crescimento da frota de veículos movidos por baterias com energia proveniente de termelétricas e usinas nucleares, respectivamente.



E na Noruega? Assim como certo país da América do Sul, o reino gelado da Escandinávia possui uma rica matriz hídrica, que fornece a energia necessária para mover todo o país. Cerca de 98% da energia consumida provém de centrais hidrelétricas. Diante disso, o governo não tem problemas em abastecer a enorme frota de carros elétricos que deverá ter por volta de 2025.


Atualmente, o país incentiva a comercialização de carros elétricos, mas o parlamento já está querendo rever essa desoneração fiscal. O movimento para incentivos de fontes renováveis surgiu na Noruega em 1990, mas em 2001, o governo zerou o imposto para carros movidos por bateria. Com isso, a frota de carros elétricos no reino subiu rapidamente e hoje tais modelos dominam as vendas no país. Em 2004, foram registrados 100 carros elétricos, mas em 2016, as vendas totalizaram 51 mil. Para sustentar a frota em crescimento, o governo incentivou a criação de uma rede de recarga que soma 7,6 mil pontos espalhados pelo país. O maior ponto pode recarregar de uma vez 28 carros.


Além do imposto zerado, o que ajuda a promover o carro elétrico, o governo havia estabelecido várias outras formas de benefício para os proprietários desse tipo de veículo, entre eles estacionamentos gratuitos, recargas grátis, tráfego liberado em corredores de ônibus, entre outros. Nesse último caso, motoristas de ônibus e outros começaram a reclamar dos privilégios que, de forma geral, acabaram sendo eliminados pelo governo.


 
No entanto, algumas cidades decidiram manter os privilégios para carros elétricos, o que na prática quase anulou os impedimentos governamentais. Em Oslo, capital do país, estimativas dizem que os benefícios fiscais sobre cada elétrico alcançam US$ 8.200/ano, mas o governo contesta, dizendo que somam US$ 3.336 ao ano. A Noruega pode acabar aumentando o imposto sobre os combustíveis, a fim de forçar uma migração para os veículos elétricos e acelerar o processo de conversão do mercado para apenas veículos de emissão zero. O governo quer liberar apenas elétricos e células de combustível (hidrogênio).


O chamado Plano Nacional de Transporte 2018-2029 prevê que automóveis leves, utilitários e ônibus deverão ser vendidos apenas com propulsão de emissão zero em 2025. Os caminhões devem ficar para mais adiante. Antes disso, porém, carros híbridos plug-in terão sua vez na preferência das vendas, a fim de que seus donos usem cada vez mais a energia disponível no mercado.


Com 135 mil elétricos nas ruas, a Noruega se tornará em julho – por causa das vendas em curso – o quarto país em volume de veículos de emissão zero, ficando apenas atrás da China, EUA e Japão. Sem dúvidas, se o plano governamental der certo, o país será um dos primeiros a buscar uma frota automotiva limpa nas próximas décadas, começando pelo fim das vendas de carros a gasolina e diesel.


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Publicado no Verdesobrerodas



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