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domingo, 24 de abril de 2016

Lítio é o “petróleo branco” da era dos veículos elétricos

Em meio à nuvem negra que paira sobre a indústria de mineração global, há um ponto brilhante e esperançoso: o lítio. Este ano parece ser chave para a decolagem da produção desse metal, indispensável para o funcionamento de muitas baterias de carros elétricos e outros dispositivos de alta tecnologia, incluindo iPhones.
Por isso, enquanto os produtores de petróleo lamentam seus infortúnios e as empresas de mineração tentam sobreviver ao naufrágio dos mercados, o setor de lítio vive bons momentos.

E isso promete trazer grandes benefícios a vários países sul-americanos, liderados por Argentina, Chile e Bolívia. 'Nova Gasolina'. O preço do lítio importado da China dobrou em dois meses, entre novembro e dezembro de 2015, atingindo US$ 13.000 por tonelada, de acordo com a revista The Economist. O interesse pelo metal é tamanho que o banco de investimentos Goldman Sachs o apelidou de "a nova gasolina."

Um relatório da consultoria americana Allied Market Research estima que o mercado mundial de baterias de lítio poderia valer US$ 46 bilhões em 2022. Parte da euforia tem a ver com o anúncio do empresário Elon Musk no início deste mês sobre seu desejosde expandir a produção dos carros elétricos Tesla.

Centenas de milhares de pessoas encomendaram com antecedência o novo Modelo 3, e o empresário está construindo uma fábrica gigante de baterias para os carros no deserto de Nevada, nos Estados Unidos. "Para produzir 500.000 veículos por ano, basicamente precisamos absorver toda a produção de lítio no mundo", disse Elon Musk em entrevistas.

E esse é apenas um dos concorrentes do mercado de carros elétricos, sem mencionar os produtores de pilhas para computadores e outros dispositivos eletrônicos, que também precisam garantir boas fontes de lítio.

Na América Latina, há razões para olhar com muito interesse essa corrida: três nações localizadas em uma espécie de "triângulo de ouro" do lítio concentram reservas importantes do metal. Argentina, Bolívia e Chile estão na mira da indústria mineira. Os três países agrupam cerca de 60% das reservas conhecidas de lítio, de acordo com estudos realizados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em Inglês).
 
Isso levou a revista norte-americana Forbes a declarar há alguns anos que a área é a "Arábia Saudita do lítio", em uma referência à abundância de petróleo no país do Oriente Médio. Entre a paisagem colorida do Salar de Uyuni, a Bolívia tem o que pode ser o maior depósito do mineral.

Mas, de acordo com o especialista boliviano em lítio Ballivian Oscar Chávez, o grande problema da Bolívia é que o lítio de seu salar está muito misturado com magnésio, e insumos caros são necessários para separá-los. Além disso, há fortes restrições a investimentos estrangeiros impostas pelas autoridades.
Isso embora o governo do presidente Evo Morales venha procurando estabelecer condições às multinacionais interessadas em explorar o lítio para permitir que o país sul-americano mantenha um controle significativo da indústria.

Morales diz que não quer repetir a história de mineração do país, em que entidades estrangeiras por séculos exploraram os recursos bolivianos sem deixar grandes benefícios para as comunidades locais. A produção em larga escala na Bolívia ainda não começou. Mas há planos com uma fábrica estatal experimental de produção de carbonotado de lítio no Salar de Uyuni.
 
Na Argentina e no Chile, por sua vez, várias empresas privadas já extraem o metal, embora, como na Bolívia, alguns dizem que os esforços dessas nações deveriam concentrar-se na produção de baterias, de maior valor agregado, em vez de simples remoção do metal.

Para o mercado, a chegada ao poder na Argentina de Mauricio Macri, um presidente simpático ao investimento estrangeiro, vai dinamizar a entrada de capitais externos no setor de exploração do lítio. Empresas japonesas, americanas, australianas e de vários países europeus participam, com planos ou projetos em curso, desta corrida para garantir fontes de lítio.

No entanto, como acontece com muitos outros setores de mineração na América Latina, há aqueles que alertam para possíveis consequências sociais e ambientais desse crescimento.

As paisagens quase intactas das grandes salinas andinas podem ser condenadas a desaparecer para satisfazer à demanda externa por baterias. E ainda não se sabe se as comunidades que vivem no seu entorno receberão os benefícios de ser o epicentro mundial da produção da "nova gasolina".

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Publicado no Verdesobrerodas



Origem: BBC

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