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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Veículo elétrico provocará a próxima Crise do Petróleo?

Tom Randall, da Bloomberg, fez uma análise muito interessante dos possíveis impactos do crescimento da penetração dos veículos elétricos no setor de petróleo, a qual passamos a reproduzir com algumas considerações.

Segundo Randall, toda boa tecnologia, chega um momento em que comprar a alternativa não faz mais sentido. Pense smartphones na última década, televisão a cores na década de 1970, ou até mesmo carros a gasolina no início do século 20. Predizer o calendário dessas mudanças é difícil, mas quando isso acontece, o mundo inteiro muda.
Está parecendo que a década de 2020 será do carro elétrico. Os preços da bateria caiu 35 por cento no ano passado e estão em uma trajetória para tornar os veículos elétricos tão acessível quanto os seus homólogos a gasolina nos próximos seis anos, de acordo com uma nova análise do mercado de veículos elétricos realizado pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Para a BNET, estamos diante de uma descolagem do mercado de massa para os carros elétricos.
 
Em 2040, os carros elétricos de longo alcance deverá custar menos de $ 22.000 (em dólares), de acordo com as projeções. Mais de 35% dos carros novos em todo o mundo serão eletrificados.

Até aqui, parece que o movimento dos VEs não está preocupando o mercado do petróleo, pois os carros eletrificados representam apenas 1% do mercado global de automóveis. Eles são uma raridade nas ruas da maioria dos países onde são comercializados e, ainda assim, custam significativamente mais do que os seus pares queimadores de gasolina. A OPEP avalia que os veículos elétricos (EVs) irão ter apenas 1% do mercado em 2040. No ano passado ConocoPhillips, Chief Executive Officer Ryan Lance, disse que os EVs não terão impacto significativo nos próximos 50 anos.
 No entanto, pode não ser bem assim, pois nos próximos anos, o plano de algumas montadoras, a exemplo da Tesla, GM e Nissan é começar a vender carros elétricos de longo alcance na faixa de US $ 30.000. Outras montadoras e empresas de tecnologia estão investindo bilhões em dezenas de novos modelos. Em 2020, alguns desses modelos vão custar menos e com melhor desempenho do que os seus homólogos a gasolina (governos estão a cada dia mais dispostos a sobretaxar veículos poluidores).  Isso sem falar em outras montadoras de veículos elétricos que estão surgindo, especialmente na China, oferecendo veículos elétricos sofisticados.

Então, quando o mercado dos eletrificados crescer significativamente, os impactos poderão causar a próxima crise do petróleo?
 
Primeiro temos que recorrer a estimativa para avaliar a rapidez com que o mercado irá crescer. As vendas de EV no ano passado cresceram cerca de 60% em todo o mundo. Isso é um número interessante, porque é também mais ou menos a taxa de crescimento anual previsto pela Tesla para vendas até 2020, e é a mesma taxa de crescimento que ajudou o Ford Modelo T Cruise apostar que substituiria os cavalos e charretes da década de 1910. Para efeito de comparação, os painéis solares estão seguindo uma curva semelhante, ou seja, 50% de crescimento a cada ano, ao passo que as vendas de LED estão subindo cerca de 140% por ano.

Dados da Bloomberg apontam que os veículos elétricos poderão deslocar a demanda de petróleo de 2 milhões de barris por dia já em 2023. Isso criaria um excesso de óleo equivalente ao que desencadeou a crise do óleo em 2014.

A análise de BNEF incide sobre o custo total de propriedade de veículos elétricos, incluindo coisas como manutenção, custos de gasolina e o custo das baterias, já que elas são responsáveis ​​por um terço do custo de construção de um carro elétrico. Para que os EVs tenha adoção generalizada, uma das quatro coisas devem acontecer:
1. os governos devem oferecer incentivos para reduzir os custos;
2. os fabricantes devem aceitar margens de lucro extremamente baixas;
3. os clientes devem estar dispostos a pagar mais para dirigir elétrico;
4. os custo das baterias deve reduzir, significativamente.

Uma rápida análise revela que as quatro coisas estão ocorrendo. Há, no entanto, um outro lado desta equação: de onde virá a eletricidade? Em 2040, os carros elétricos vão demandar 1.900 terawatt-hora de eletricidade, de acordo com BNEF. Isso é equivalente a 10% de toda eletricidade produzida no mundo em 2015.
 
A boa notícia é que a eletricidade está ficando mais limpa. Além disso, desde 2013, o mundo tem adicionando mais capacidade de geração de eletricidade a partir de energia eólica e solar do que a partir do carvão, gás natural e óleo combinada. Os carros elétricos vão ajudar a aproveitar a energia limpa e a gerenciar melhor a rede distribuição de eletricidade.

Haverá matéria prima (lítio) para atender a demanda crescente por baterias? A BNEF descobriu que em 2030, as baterias irão exigir menos do que 1% das reservas conhecidas de lítio, níquel, manganês e cobre. Eles exigem 4% do cobalto do mundo. Depois de 2030, novas químicas de bateria, provavelmente, se deslocarão para outras matérias-primas, tornando o pacote leve, menor e mais barato.


Um outro dado importante segundo dados da BNEF é que o surgimento dos carros autônomos e ampliação de serviços de compartilhamento como Uber e Lyft, Autolib entre outros irão reduzir o número de carros nas ruas (estudos apontam que cada carro compartilhado retira em torno de seis carros particulares das estradas) e aumentar a participação de modelos eletrificados, com potencial de elevar a cota de EVs para 50%, até 2040.

Uma coisa parece certa: a cada ano que se segue haverá mais carros eletrificados nas ruas e estradas e menos procura por petróleo.

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Publicado no Verdesobrerodas



Origem: Bloomberg/VSR

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